Linha pontilhada

Citando o filósofo Pierre Levy, autor do livro “O que é o virtual”, um clássico da literatura cabeça sobre o mundo virtual:

No limite, só há hoje um único computador, um único suporte para texto, mas tornou-se impossível traçar seus limites, fixar seu contorno. É um computador cujo centro está em toda parte e a circunferência em nenhuma, um computador hipertextual, disperso, vivo, pululante, inacabado, virtual, um computador de Babel. o próprio ciberespaço.”

No ciberespaço, como qualquer ponto é diretamente acessável a partir de qualquer outro, será cada vez maior a tendência a substituir as cópias de documentos por ligações hipertextuais: no limite, basta que o texto exista fisicamente urna única vez na memória de um computador conectado à rede para que ele faça parte, graças a um conjunto de vínculos, de milhares ou mesmo de milhões de percursos ou de estruturas semânticas diferentes.”

Isso ai’ professor. Enquanto o mundo da infra-estrutura em computação caminha para a virtualização, viramos um conjunto de alter egos de mentirinha, acessiveis de muitas redes e formas, como resultado da fragmentação da nossa identidade virtual armazenada por partes nas nuvens do Google, da Apple, do Face.

Marx, em meados do século XIX ja’ nos espetava com a famosa frase de seu manifesto (usada por Marshall Berman como titulo de seu ensaio famoso sobre essa tal mudernidade)   : “no nosso tempo, tudo o que antes era solido, agora desmancha no ar ” (premonição aplicável inclusive `a economia do Brasil em 2015).

Mas fazer o que para se alienar desse mundo online demais… ir morar na Coreia do Norte, virar hippie em Sao Tome’, budista no interior de SP, professor de sociologia na USP ? Eh meio triste, mas como podemos realmente provar aos outros que estamos nos divertindo nessa vida, se nao for pelo insta…

A minha opinião, entretanto, eh que existe muita choradeira acadêmica sobre a autoexposicao na rede e que, na verdade, o saldo da equacao “info relevante menos lixo descartavel” eh amplamente positivo. Somos hoje muito mais bem informados (e ateh, quem diria, politizados) do que alguns antes da web se disseminar. A mídia virtual tem diversas vantagens inegáveis sobre a mídia impressa (liberdade, simultaneidade aos eventos, pluralidade, alem de captar e refletir mais fielmente o zeigest, o espirito do tempo). Muito embora concorrentes, ambas podem conviver numa tranquila, numa boa, numa relax. Uma midia seria faladeira, expansiva, as vezes inconsequente. Mas livre. A outra seria mais reflexiva, contida e, claro, filtrada pelo crivo de um editor.

Esse blog, confesso, eh descartavel : um registro super-efemero  e meio zoneado sobre quase tudo que me interessa na web…se estiver atrasado para o dentista ou ir ao banco, por favor nao perca tempo aqui.

Aqui nao tem editor nem tema…. Cronicas e comentários descompromissados sobre a(s) industria(s) criativa(s) – assunto de minhas pesquisas, startups e rupturas tecnológicas, livros sobre heróis do rock dos anos 70 e 80, novidades indie e hard rock, filmes obscuros do cinema independente, atrizes porno-cults e cartunistas porno-chics, poesia-cronica advinda de dores e erros amorosos cronicos, poesia-poesia mesmo, do mimeografo virtual da nuvem cigana (um bom nome pra internet hoje, btw) a alguns novos escritores quase nao editados, com sua obra virtual esperando ansiosamente virar papel um dia. Passando ainda (ufa) pela nobre poesia haicai-sacanagem, da parede e muro sujos, do grafitti e do banheiro de bar.

Um viva `as viagens de todos tipos, `a obra de tantos viajantes solitarios, beatniks nacionais e importados. Eu os imagino persistindo no seu trabalho tantas manhas e tardes heroicas, de ressaca e sem neosaldina (que ainda nao existia ou tinha acabado).

PS. e vida longa ao efêmero ! um hip-hurra tambem aos milhares de criativos anônimos que resistem `a chatice geral, criando memes de whatsapp como forma de resistência ao nosso noticiário politico-econômico depressivo, tornando a 2a feira um dia mais curto.

Have fun.

 

3 respostas em “Linha pontilhada

  1. Parabéns,o blog tá bacana!
    Só senti um certo preconceito seu em admitir que também gosta de rock’n’roll….ficou só no jazz e no folk!
    Valeu!

  2. Só podia ser o Ronildo, dando aquela alfinetadinha, né Bahia?

    Tá bacana.

    Já recomendei para os programadores, meus amigos nerds fãs do mochileiro das galáxias…

    abraço.

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